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24/08/09
Actualizações do blog na versão wordpress
01/08/09

Jazz
Vejo renderes-te a esse desejo
tocando notas musicais espirituais,
em gestos angelicais,
vejo em ti um corpo celestial,
bebo em ti o gosto da música
fazes-me sonhar,
mas que música será esta?
virá da tua mão? um simples mortal?
quem será mesmo o autor?
talvez, quem sabe,
um emprestador da mão e da voz de Deus.
[Sónia Sultuane, No Cola da Lua, edição da autora, 2009]
31/07/09

"...[o general] Ivan Cherniakovski estava a dirigir outra das suas ofensivas, que morreu só no meio de uma estrada, que foi duas vezes Herói da União Soviética, que ganhou a Ordem de Lenin, quatro ordens da Bandeira Vermelha, duas ordens de Suvórov do Primeiro Grau, a Ordem de Kutúzov do Primeiro Grau, a Ordem de Bogdan Jmelnitzki do Primeiro Grau e numerosas incontáveis medalhas, que por iniciativa do Governo e do partido se erigiram monumentos seus em Vilnius e Vinnitsa (o de Vilnius seguramente hoje já não existe e o de Vinnitsa provavelmente também foi derrubado), que a cidade de Insterburg na antiga Prússia Ocidental se chama agora, em sua honra, Cherniajovsk, que o koljoz da aldeia Vérbovo no distrito de Tomashpolsky também tem o seu nome (hoje nem sequer existem koljoz), e que na aldeia de Oksánino do distrito de Umanski na região de Cherkassi se levantou um busto de bronze para celebrar o grande general (corto-os rentes se o busto de bronze não foi substituído; hoje o herói é Petliura; amanhã quem sabe). Enfim, como diz Bibiano citando Parra: assim passa a glória do mundo, sem glória, sem mundo, sem uma miserável sanduíche de mortadela."
(Roberto Bolaño, Estrela Distante, Teorema, tradução de Jorge Fallorca, pp. 60-61)
Lisboa

Foi só abrir ao calhas uma página deste "Morte a Crédito" (Assírio & Alvim, 1986, tradução de Luíza Neto Jorge). A qual valerá mais do que muito tralha junta. Lisboeta e não só.

"Ter-lhe-ia corrido melhor, dizia Bibiano, na direito, mas, mistério, os Di Angeli são às legiões nas hostes de esquerda; pelo menos, dizia, ainda não se dedica à crítica literária, mas lá chegará. Com efeito, durante a espantosa década de 80 passei os olhos por algumas revistas mexicanas e argentinas e encontrei vários trabalhos críticos de Di Angeli. Creio que tinha feito carreira."
29/07/09
Viagens na Minha Terra

O i - que agora conheci – tornou-se o mais agradável e o mais profundo jornal diário português. O melhor.
3. A Crise.


Proto-comprador visito uma casa do “tempo da guerra”, ali “às avenidas”, um tal custo que não o conseguiria pagar no tempo de vida que me restará, por optimista que seja. As vendedoras, um duo já sem idade para frescuras BE nem aspecto da célula PC do sector imobiliário, respondem ao meu continuado espanto “estes preços? Então e a crise?”. Entreolham-se, porventura defendendo o seu negócio, num “hum … crise neste segmento não se faz sentir”, que “as casas vão-se vendendo”. Mas que mais abaixo sim, a crise estalou, nas casas “entre os 150 mil e os 180 mil euros” é difícil a venda, "fora de Lisboa” há imensas casas disponíveis, e mesmo até ali “para a Penha de França e isso".
Sorrio, lembrando não propriamente nostálgico, a velha palavra de ordem que agora voltou: “os pobres que paguem a crise”.
4. Da Boca das Crianças ...
"Graças a Deus que em Maputo há menos spray." (Carolina, 7 anos)
5. Arte? Liberdade Individual?
Lisboa, cidade "grafitada". Talvez o hábito torne invisível o lixo visual aos seus habitantes. Mas a quem chega de fora ainda surpreende esta pandemia. Depois percebe-se que não é apenas o hábito, é mesmo o desencanto ideológico, para não lhe chamar desvario - é certo que as definições endógenas do que é "arte" tendem a desfalecer, pelo que "anything goes". Consulto a Agenda Cultural de Lisboa (profusa), simpática e útil publicação municipal. Reportagem sobre "A Arte Está na Rua", projecto a decorrer na Galeria de Arte Urbana, a tender para a institucionalização desta prática, donde a sua divulgação (bem, pode ser que com esta respeitabilidade se mate o bicho ...). É muito interessante ler o sociólogo Ricardo Campos, ali entrevistado a este respeito: "Hoje temos um discurso pictórico com mais de três décadas ... tornando-se numa linguagem paradigmática da pós-modernidade".
Há também uma dimensão ideológica, que se inscreve na democracia: as pessoas vivem no espaço público e sentem que têm direito de usufruir desse espaço." (p. 17 da edição impressa da Agenda Cultural Julho 2009).
É impossível rebater ideologicamente este argumento. Como diria o meu vizinho, acima citado, "Amu-te democracia". E não sou sociólogo.
6. As invasões francesas e o nacionalismo.

Pergunto se tem havido algo que “comemore” (que revisite) os dois séculos das invasões francesas, a última guerra internacional em território nacional. “Assim de repente” mandam-me ler “Ir Pró Maneta” de Vasco Pulido Valente (Alethea, 2007), narrativa da insurreição popular de 1808 contra Junot, a qual o autor considera o maior movimento social português da história, procurando-lhe o conteúdo sociológico. Obra interessante, para além do ar patrioteiro de alguma retórica do autor, o recorrente queixume do historiador face às “malevolências” sofridas às mãos dos enviados do império e dos sequazes de John Bull, o qual para alguns pode parecer a necessária subjectividade do autor. Mas não é.
Inscrição crucial nesta obra: "De resto, a sua quase completa ausência de identidade própria levou os hipotéticos “burgueses” de Portugal a sentir os distúrbios sociais de 1808 como um ataque contra si mesmos. O seu pânico foi o pânico da ordem estabelecida. E, por isso, em vez de, como em Espanha, aproveitarem o “levantamento do povo”, a que só faltavam chefes e objectivos, para captar a direcção política do país, fizeram a escolha oposta: uniram-se aos “grandes” para submeter os “pequenos”. No processo, fortaleceram as instituições tradicionais e a ideologia que as justificava. Em definitivo, a resistência a Junot reclamou-se mais da Coroa do que da nação. Pior ainda: a imagem arquétipa do colaboracionista (que tinha sido toda a gente, a começar nos bispos, na alta nobreza e na alta magistratura) depressa veio a coincidir com a de jacobino e a de pedreiro-livre, numa palavra, com a de “estrangeirado”. Quer dizer, se em França a nação se criara contra o "antigo regime" e, em Espanha, contra ele e o invasor, na crise portuguesa de 1807-1812 a nação surgiu em oposição ao francês (como era inevitável) mas sobretudo em oposição ao "afrancesado". Nestas condições, ficou desde o seu princípio identificada ao padre, ao frade e ao fidalgo, verdadeiros depositários de tudo o que ela possuía de singular (e, portanto, de sagrado) e últimos baluartes da sua defesa contra aqueles que de fora a procuravam vencer ou corromper, pelas armas ou pelas ideias. É inútil sublinhar a persistência desta visão na história futura do país. Em Portugal, o nacionalismo não teve como no resto da Europa um conteúdo laico e liberalizante (excepto nos breves episódios da Patuleia e da propaganda republicana entre 1890 e 1910). Pelo contrário, quase sempre não se distinguiu do ultramontanismo católico e das causas típicas da conservação." (p. 49-50)
7. Funcionalismo público.

8. O Pós-bloguismo.

Há uns meses, arrepiado com algo que lera no instrumento Jugular surpreendera-me num "O que faz um homem como o Miguel Vale de Almeida no meio daquela gente?". Já sei …
9. Liberdade?

10. Língua Portuguesa 1.
11. Língua Portuguesa 2
Em assim sendo tirem a tenda dali. Pois dá um ar miserável à Avenida, que já foi central. E comprem livros nas "livrarias".
12. Eleições Municipais.

Lembrar-se-ão os vizinhos lisboetas de há quantos anos está o Terreiro do Paço em obras?
13. Tribalismo.

"...afinal é sempre a questão da identidade que se põe como tema que queira ter ideias originais por toda a gente que nunca as teve, a questão da identidade, agora, para mais, enriquecida com a questão da alteridade e os jogos de palavras respectivos entre as duas noções, que não são assim tão difíceis e estão ao alcance também de toda a gente, sobretudo dos frequentadores de simpósios e seminários internacionais e até das respectivas consortes, mesmo quando os joanetes ou a ciática as incomodam perfidamente, impedindo-as de fruir por inteiro dos programas sociais organizados para essas ocasiões." (Vasco Graça Moura, Naufrágio do Sepúlveda, Quetzal, 3ª edição, p. 21)
14. Homossexualidade ou Homossexualismo?

15. Pré-Globalização.

16. A Direita em Portugal.
17. Mia Couto em Tavira.

18. O Ministro e o Acordo Ortográfico.
Um tonto - como em Maputo tanto demonstrou.
19. Exemplo de Exposição.
No Instituto de Ciências Sociais uma pequena e bela exposição, exemplo de montagem e de comunicação. Sobre a revista anarquista "Renovação" (1925-26), associando-a ao pensamento utópico de António Tomás Pinto Quartin. Vale bem a pena visitar, pelo objecto-exposição em si, pelo carinhoso pensamento (hoje poder-se-á dizer isso do anarquismo) ali visitável.
20. A revista Ler é do melhor que há em Portugal. Não chega a Maputo. Por isso foi aboletar-me em casa paterna, décadas dela por lá, e percorrer o último ano e tal, e até para trás - até que alguém me avisasse: "passas o tempo a ler sobre livros em vez de leres livros...".
Terá sido por isso, pelo excesso. Ou por ter regressado às velhas (1993, com entrevista a Mario Vargas Llosa) que me ocorreu algo, um desconforto. Há coisas muito boas hoje, o director, a sapiência em sorriso leve do Onésimo, algumas entrevistas (fabulosa a de Miguel Esteves Cardoso, a lembrar-me de uma Lisboa em que o "Miguel" era o MEC e ainda não Sousa Tavares; horrível a de Margarida Rebelo Pinto, onde o entrevistador parecia uma abadessa de dedo em riste para uma noviça afogueada com o senhor cura), Filipe Nunes Vicente que deve ter o teclado mais interessante de todos os que juntaram o papel publicado aos seus blogs. E não só. Mas a Ler tem agora um tom de humor (bloguístico?) que é cansativo, de de-monstrável que é. Uma marca deste momento se calhar. Mas que cansa. Mesmo.
Ainda assim, uma pena não ser distribuída aqui.
21. Tavira

[Fotografia encontrada aqui]
Há décadas que lá não ia. Uma surpresa, ainda que fosse avisado. Um Algarve que resistiu. Cidade bonita, preservada, agradável para habitantes e visitantes, com algo de seu. "Nunca mais digo mal do Macário Correia" disse eu, em coro. "Ai é uma pena, ele vai para Faro", lamentava-se a senhora, já de idade, ali na farmácia.
O que não seria do Algarve se tivessemos tido mais gente como ele. Em vez desses patifes.
22. Coimbra Capital do Saber?

[fotografia encontrada aqui]
23. O Estado e o falo

[Artur Corte-Real (coord.), Mosteiro de Santa Clara de Coimbra. Do Convento à Ruína, da Ruína à Contemporaneidade, IGESPAR, 2008]
Nos últimos 18 anos passei em Coimbra apenas um bocado de tarde, ao doutoramento de um amigo. Nem me lembrava do bonito da cidade (agora a minorar, às mãos do prestigiado Gonçalo Byrne, pelo que vejo)
Entre outros poisos visito este convento de Santa Clara, um exemplo de afã patrimonial. Certo que a exposição é frágil (lettering pavoroso, informação parca e até errónea), dando um ar paroquial contrastante com o conjunto arquitectónico.
Paróquia que se sublinha à entrada, recursos humanos aldeões. Na compra dos bilhetes (as crianças pagam, um desvario) uma televisão transmite uma sequência de imagens do convento e dos achados arqueológicos. O "recepcionista" (antes dito "guarda"), bem fardado, olho nestes dois casais e suas pequenas filhas e um outro na perspectiva de avantajada gorjeta, logo se transforma em "guia turístico", legendando e comentando as fotografias exibidas.
À passagem do falo de pedra ocorre-lhe, alvar, o "e isto é o que elas usavam, ha ha ... ha ha". Vamos virando costas - certo que ele nos ressurgirá lá em baixo, no convento, lesto em busca dos euritos - e eu sigo um pouco hesitante, será esta a idade exacta para responder substantivamente às questões assim brotadas?: "O que era aquilo?", "usavam para quê?".
Contemporaneidade? A possível no Estado.
24. Exposição África
A colecção de arte africana de José de Guimarães. Espantosa. Imperdível. Mais do que tudo, invejável. Um catálogo com excelentes textos (Raquel Henriques da Silva, Kosme de Barañano e Rui Mateus Pereira). Fantástico. E um etc. de adjectivos.
24. Vitruvius Mozambicanus no Centro Cultural de Belém (aka Museu Colecção Berardo)
Pancho Miranda Guedes, o arquitecto lenda do Lourenço Marques de então. Sumptuosa exposição no CCB.
No fim fica-me a dúvida, qual o impacto de Miranda Guedes depois de transplantado daqui. Saíu ainda novo, mas o grosso da obra mostrada, arquitectónica e pintura é dos tempos moçambicanos. E a pintura a eles regressa. Gostaria de ter voltado, de a ter revisto. Para a fruir, mas também para tentar responder a esta inquietação. Feneceu, lá fora?
Outra imperdível. Duas exposições que justificam (teriam justificado, caso necessário fosse) a viagem a Lisboa.
25. Política Portuguesa: a Esquerda e a Direita.
A meio da tarde sigo no túnel do Marquês pela faixa da direita a 50 km, velocidade máxima. Na esquerda, um pouco à minha frente, alguém segue à mesma velocidade. Atrás dele chega um outro, que assim se posta a meu lado, apitando quase frenético. Saímos do túnel ascendendo a Fontes Pereira de Melo. Somos os últimos a passar o semáforo verde no início da avenida e assim deixamos de ter gente imediatamente atrás. O nervoso ultrapassa pela direita, ziguezagueando à minha frente, atravessa-se à frente do seu “opositor” e sai do carro aos gritos deixando a mulher sentada. Eu paro, apesar da família ali. Ele vocifera e gesticula. O outro condutor olha para mim e meneamos a cabeça, concordando num “não vale a pena ir-lhe às trombas”. Sigo.
No dia seguinte cruzo em sul-norte a Ponte Vermelha. Sigo na faixa do centro, a todo-alcatroada, à velocidade máxima. Transferindo-se da direita um camião cola-se à minha traseira que logo enche com seus enormes máximos e depois com estridente buzina. Depois ultrapassa-me em continuada buzinaria, mostrando-se “Veículo Longo” de empresa de transportes com nome de atum de conserva, e inflecte para a minha frente, reduzindo abruptamente a sua marcha enquanto gesticula fora da janela.
Não me restam dúvidas, não percebo a topologia lusa, isso da esquerda e da direita. (ainda bem que há os pedagogos in-blog e "lá fora", que seria de nós, ignorantes, sem eles …)
26. A Esquerda em Portugal.

Esquerdista militante, vibrante de argumentação e invectivas, sobre coisas "actuais" e "locais", coisas de âncora ideológica, o antropólogo encartado interrompe o tom e, a propósito de uma qualquer-coisa, concede "Pois é, em Moçambique ainda há sociedades matrilineares". Sorrio e, porco reaccionário, resmungo "surpreende-me esse "ainda"…".
Não me restam dúvidas, não percebo a topologia lusa.
27. Funcionalismo Público 2.

Museu de Arte Antiga, para ver a exposição Portugal e o Mundo nos Séculos XVI e XVII - belas peças mas mais do mesmo, nem uma década passou das grandes comemorações e regressa o centramento nos Descobrimentos. Com uma falta de informação, que permite o "achatamento" da história, uma desproblematização multiculturalista à vista - porventura a leitura do catálogo dê outras pistas, mas trata-se de VER uma exposição. Atente-se na ideológica planura da secção "Brasil" da mostra.
Mas sucesso de público, uma fila para os bilhetes em tarde de semana. Está na hora das visitas guiadas, um dos visitantes pergunta à funcionária (de putativo vínculo estatal) se ainda se pode integrar nas ditas visitas. Ela, de imediato, grita para a outra ala do átrio da entrada: “ó não-sei-quantas ainda há lugar nas visitas guiadas”. A colega responde gritando, sobre todas as nossas cabeças, “Hââânnn???!”. Sorrio, liberal: “é o Estado…”, ou melhor, “é o estado do Estado”.
28. A Vida.
The Night of the Iguana : Hannah Jelkes (Deborah Kerr) partiu, levando a cruz de Shannon. Maxine (Ava Gardner) diz a este (Richard Burton): "I’ll get you back up, baby. I’ll always get you back up".
26/07/09
03/07/09
Manuel Pinho
Um par de cornos, bem merecidos, para Bernardino Soares e toda a escumalha mugabesca que o rodeia (Saddam era um democrata, não esquecer, apesar de ter dizimado os próprios comunistas iraquianos) - um par de cornos mais que merecidos.
Coisas de Portugal
27/06/09
Kuxa Kanema, nova revista

Kuxa Kanema, o primeiro número da nova revista do Instituto Nacional de Cinema, que tem como director Djalma Lourenço e director-adjunto Pedro Pimenta - o homem do Dockanema - e uma tiragem de 500 exemplares. Este número ainda muito institucional, debruçado sobre questões internas do Instituto mas já com um dossier sobre a recente "I Mostra do Cinema e Audiovisual da CPLP", que ocorreu em Maputo a semana passada. E também com uma pequena entrevista com Gabriel Mondlane, cineasta moçambicano.
Etiquetas: Cinema Moçambique
Correntes
O Entre as Brumas da Memória introduziu o ma-schamba na corrente de blogs actual, o Prémio Lemniscata. Muito agradeço a simpatia.
Que prémio é este? Complicado!
"O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogues que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores.»
Sobre o significado de LEMNISCATA: «curva geométrica com a forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante».
Lemniscato: ornado de fitas Do grego Lemniskos, do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores. (In Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora)
O símbolo do infinito é um 8 deitado, em tudo semelhante a esta fita, que não tem interior nem exterior, tal como no anel de Möbius, que se percorre infinitamente."
E para continuar a corrente há que chamar a atenção para outros sete blogs que lemnisquem, ou seja, de que esteja a gostar. Aqui vão, sem ordem:
1. Mãos de Moçambique
2. Modaskavalu
3. Arte em Movimento
4. Mbila
5. Vinte e Cinco Centímetros de Neve
6. Vidro Duplo
7. Mar Salgado
Férias de Portugal

Etiquetas: Politica Portuguesa
26/06/09
24/06/09
Imputação a Agualusa
Aqui se ecoa a acusação a José Eduardo Agualusa de ter cometido plágio no seu "Estação das Chuvas". Fui ver e ler. E parece-me muito forçada a tal acusação. Plágio não é isto, caramba! Goste-se ou não da escrita de alguém.

"One of the more plausible explanations for why, despite a century of democratic movements and uprisings, Western-type democracy has failed to take root in the Middle East is that Arab nationalists have wanted to pick and choose from the Western cornucopia, taking over science and technology and/or educational systems and/or institutions of government without being ready to absorb their philosophical underpinnings as well, the false gods of rationalism, scepticism, and materialism."
[J.M. Coetzee, "Nadine Gordimer", Inner Workings. Literary Essays 2000-2005, Harvill Secker, 2007, 248-249]
23/06/09
Vinte e Cinco Anos de "Charrua"
Abaixo fica a reprodução das capas dos exemplares que tenho [se alguém tiver o nº 2 e me deixar fotocopiar ...]. Sobre o conteúdo haverá quem fale. Sobre uma reedição (talvez fac-simile) haverá, com toda a certeza, quem tenha a legitimidade para a aventar.
[Nº 1, Junho 1984. Entrevista a Rui Nogar por Tomás Vimaró; poemas de Pessoa, Césaire, Dante, Char, Sartre, Brecht; publicação de "Godido" de João Dias; textos de Khosa, Mikas Dunga, António Magaia; poemas de Bucuane, Muteia, White; ilustrações de Ídasse (e Naguib?)]
[Nº 3, Outubro de 1984; Entrevista a Pepetela por Tomás Vimaró; textos de Khosa, Roberto Amado, Aníbal Aleluia, Panguana, Khambira Khambiray (Aldino Muianga?), Tomás Vimaró, Nathan Erúbi, Mikas Dunga (Pedro Chissano?); poemas de Adamogy, Pinto de Abreu, Fernando Pablo, Fernando Manuel, Juvenal Bucuane, Alvaro do Ó, Hilário Matusse, Armando Artur, Sibone]
[Nº 4, Dezembro de 1984; poema de Alejandro Diaz; textos de Khosa, Gregório Marcelino Malôa (sobre Orlando Mendes), White (sobre Craveirinha), Vimaró, Aníbal Aleluia, Mikas Dunga, Khambira Khambirai, Muteia; ilustração de Ídasse; poesia de António Tomé, Sarimate, Rufino Roque, Armando Artur, Pinto de Abreu, Guilherme Afonso, Guevene, Jójó Muhau, Sibone, Cândido Mondlane]
[Nº 5/6, Abril/Junho 1985; Entrevista a Luís Carlos Patraquim por Vimaró; poema de Corsino Fortes; textos de Manuel Ferreira (excerto, sobre a Charrua, publicado no JL de Portugal), de Vimaró, Maria Amélia Russo (sobre Rui Knopfli), Juvenal Bucuane, Marcelo Panguana, Ídasse, Sulemane Cassamo, Castigo Zita, Khosa; Ilustrações de Ídasse, Míguel César; poemas de Edmundo Manhiça, Armando Artur, Job Matola, António Tomé, Filimone Meigos, Guilherme Afonso, M´to Tóva, José Maria (Júnior), Cândido Mondlane, Sibone, Mukeswane (seria o Bento Carlos?), Bucuane, Luís Carlos Patraquim, Yussuf Ebrahim, Nataniel Ngomane, Angélica Muvumbe, White, Rufino Roque, Muteia, Dobie Ralph]

[Nº 7, Agosto 1985; Poema de Corsino Fortes; Entrevista a Marcelino Alves por Vimaró; textos de Pedro Chissano, Orlando Mendes, Juvenal Bucuane, José Cardoso, White, Aníbal Aleluia, Fátima Mendonça, Muteia, Khambira Khambiray, Vimaró, Maria Jorge, Nelson Saúte; poemas de Ilídio Chamusso, Nelson Saúte, Clotilde Silva, Belocéu, Mwana Mutipo, Guevane, António Tomé, Fernando Manuel, Hilário Matusse, Bucuane, Ngomane, Guilherme Afonso, Armando Artur, Jójó Muhau, Sarimate K.M., Ripanga Raku Xeka, Rufino Roque, Lonamu-Lehia, Filimone Meigos; Ilustração de Mandhate]

[Nº 8, Dezembro 1986; textos de Pedro Chissano, Isménia Sacramento, Nilson Luiz May (sobre Luandino Vieira), Panguana (sobre Bento Sitoe), Clementino Vaquina, Aníbal Aleluia, Orlando Mendes, Khosa, Vimaró; poemas de Armando Artur, Bucuane, Muteia, Filimone Meigos, Guilherme Afonso, Nelson Saúte; ilustração de Ídasse]
E do primeiro número transcrevo um poema que, hoje, se confirma anúncio:
(Eduardo White)
Etiquetas: Literatura Moçambique, Livros Moçambique
22/06/09

Etiquetas: Paternidade
Blogs Vizinhos
Aprendendo Antropologia, o blog do futuro colega Dilman Mutisse.
21/06/09
Revistas Moçambique - Documentário Trimestral
Mão amiga lembra-nos da existência da colecção digitalizada de Moçambique - Documentário Trimestral (revistas entre 1935-1940). A consultar.
Etiquetas: Livros Moçambique
20/06/09
Gripe Estatal

17/06/09
Ricardo Rangel, por Alexandra Prado Coelho
Por Alexandra Prado Coelho
1924-2009
Os amigos disseram-lhe adeus ao som de Charlie Parker, como ele teria gostado. O jazz era, a seguir à fotografia, a grande paixão de Ricardo Rangel, o decano dos fotojornalistas moçambicanos, que morreu aos 85 anos. Desapareceu o homem com "um clique mágico".
Etiquetas: Ricardo Rangel
15/06/09
Brel e os bonbons
13/06/09
O Estado e o 10 de Junho
Não é um quizz. É um passaporte. E uma enorme praga, carregada de menosprezo pelas pessoas.
Refiro-me aos interessados vizinhos, parcos presumo, mas não às estruturas culturais ("cuidado, que ele é da ... e amigo de ...") que acham que um branco português não tem direito a ... e deveria partir para o oriente pagão onde lhe cortariam a cabeça. As estruturas culturais e os que ("cuidado, que ele é da ... e amigo de ...") - o ma-schamba é só um diário. Assim desdiarizado da vizinhança.
Berço. Nada mais ...
Por isso .... cada vez mais parcos vizinhos. Por isso ... e pela vida, também, sacana.












