Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008

Transferi o Ma-Schamba para o Tubarão Esquilo. Desde hoje o blog reside neste endereço. Um óbvio convite a seguirem até lá. E o pedido para que actualizem as vossas ligações públicas (elos) e privadas para o novo poiso.

Até lá.

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Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008

O blog está em letargia. Entre outras razões, que lhe são exógenas, isso também se deve a que se prepara a sua mudança de local, para um novo suporte. Quando tudo estiver pronto aqui informarei do novo endereço - e então pedindo o favor, sempre cansativo, aos leitores para que actualizem as ligações públicas ("elos") e privadas ao ma-schamba.

Sábado, 19 de Janeiro de 2008

Portugal. Bloguista amigo pergunta-me se mantenho a Moção por Salas de Fumo nos Aeroportos dado que abaixo fui informado da declaração de intenções da ANA vir a estabelecer zona para fumadores no Aeroporto da Portela. Pois sim, apesar de não estar a ser um sucesso (179 assinantes em quinze dias) mantém-se, mantenho. Pois duvido de "declarações de intenções", pois duvido que a Direcção-Geral de Saúde (ou outro organismo tutelar) vá verificar se foram estabelecidas ou não as zonas para fumadores. Pois duvido que se estas vierem a ser criadas o sejam com a ventilação, a higiene e o conforto exigíveis (imagino umas jaulas de vidro, infectas e fedorentas), pois assistimos não só a um espírito controleiro como também revanchista ("se és fumador nada mereces").

E, finalmente, pois sendo lisboeta não sou centralista (Portugal é Lisboa e o resto é paisagem?). Sala para fumo no aeroporto de Lisboa e não nos outros?

Há coisas piores do que esta? Há com toda a certeza. Mas também há melhores. E não custa nada optar por estas.

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Férias.


Cruzo a paragem de autocarro, no seu banco estão quatro velhos. Ele tem um belo chapéu, noto, sobretudo e cachecol, as três mulheres naquele mais-ou-menos, esse estilo a que vou chamando de "velhos dos Olivais", como se houvesse um esbatimento de classes que o algum desalinho (desinteresse?) da velhice e o apoucar das pensões vão causando. Apanho-lhes a conversa no ar, ele certo de que "no meu tempo havia muito mais miséria envergonhada" e elas veementes em coro no "tem toda a razão!", "com toda a certeza".

Entro no carro com a minha toda a certeza, "Portugal". Está ali tudo. Crentes que no "tempo dele" (quantas décadas atrás?) houvesse mais miséria, envergonhada ou não. Dos velhotes, ali sentados onde antes apanhavam chuva sentados nas minhas escadas, ainda vá que não vá. Agora da (parca) filharada deles ...

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Férias. Um pequeno museu bem no centro de Lisboa, a deixar imaginar uma utilização constante - nem que seja na hora do almoço (será assim?). Chego num sábado de manhã e assim ficamos dois técnicos da casa e dois visitantes. Simpático porque, "por razões de segurança" dizem-me, a visita tem que ser acompanhada. Enquanto compro bilhete e vasculho catálogos e livros a outra visitante enche a pequena sala de entrada. Conversa com a funcionária que a acompanha. É uma cinquentinha, dessas que vão ficando louras ao longo da vida, veste como uma burguesa flausina. Fala "áltooo", com as vogais quase todas acentuadas, as sílabas alongadas, uma profusão de hífens, o tudo-padrão desta pequenina quase-burguesia a que a ideologia publicitária um dia classificou como "classe média".

O funcionário dá-me o bilhete enquanto sorri, desculpa-se pois "hoje estamos um pouco barulhentos" ironiza. Cruzamos sorrisos, eu fico-me no entre-livros esperando que a mulher avance e deixe em sossego as salas. Mas demorará, insiste naquele gritar tão comum por lá, sempre tão surpreendente para quem chega de fora, que " expliquem-me tudo", que "passo os dias fechados no Palácio da Ajuda" - ok, é da casa, do ministério, já (n)os avisou [ainda que por lá não tenha aprendido que nos museus se costuma falar baixo] - que "o C... T... é meu amigo há mais de vinte anos!!". Naquela quase histeria poder-lhe-ia adivinhar um raio de solidão. Mas não, talvez porque ainda estremunhado, dá-me asco. Nela é tudo tão igual - sotaques, tiques, gritos e gemidos, onamatopeias, trapos e cabelos, e ainda berloques - que nem ela há.
Lá avança. Espero um pouco e sigo a exposição. Incomodado. É que este povoléu faz tanto barulho ...

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Nisto do bloguismo cada um como cada qual. Carlos Serra tem agora uma parafernália e um conjunto de avisos para contrariar o plágio no seu blog. Sobre esta forma agreste de receber as visitas em casa aberta [há blogs por convite, lembremo-nos] já há anos dei a minha opinião. Não mudou.

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"Então que tal foram as férias?" durante o abraço duplo daqui ou o beijo duplo das realmente educadas, "Um bom ano!" no "até breve."

Foram maravilhosas.

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Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008


"Como foram as férias?" - boas, mas quantas vezes de sorriso distante. "Han?" ... sim, que no capitalismo isto de infantilizar o consumidor é infantilizar o cidadão.

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"Desenho na Parede" (2006) de Adel Abdessemed

[incluído em Um Atlas de Acontecimentos na Fundação Calouste Gulbenkian. (Fotografia de Marc Domage, reproduzida do catálogo da exposição)]

"Como foram as férias?" Boas - mas chegado de longe, surpreendido quando me querem explicar o linear. Ou, até, quando dele fazem círculos.

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"Então que tal foram as férias?" durante o abraço duplo daqui ou o beijo duplo das realmente educadas, "Um bom ano!" no "até breve."


Foram muito boas.
"Então que tal foram as férias?" durante o abraço duplo daqui ou o beijo duplo das realmente educadas, "Um bom ano!", no "até breve."

Foram muito boas.

Então, que tal foram as férias ? ...

"Então que tal foram as férias?" durante o abraço duplo daqui ou o beijo duplo das realmente educadas, "Um bom ano!", no "até breve."

"Tríptico de Quissama"
fotografia montada em alumínio
3x(150x100 cm)

"Tríptico de Massangano"
fotografia montada sobre alumínio
3x(150x100 cm)

Foram muito boas: António Ole na Galeria 111, em Lisboa

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Actualizada a entrada Tabaco e Afins.

Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008

Partida para o natal familiar, eu e filha em Mavalane, controle de bagagem de mão e restante quinquilharia. Raio X para trás e o polícia pergunta-me quanto dinheiro levo, "dois mil e tal meticais" digo, o simples do hábito e do sem nada a esconder. De imediato ele e o colega crispam as caras, pobres réplicas do Motumbela, num "venha ali para o canto". Lá vamos, eu e a miúda, a qual nos seus cinco anos se assusta num "papi, o que é que foi?". Ainda não foi nada, mas vão ser dois ou três minutos de mímica e conversa de chacha - eles, vigorosos, apontam para o cartaz aquele do limite de metical exportável (500 meticais) num "não pode levar o dinheiro, tem que o deixar". Eu, de carteira na mão num "nem são dois mil, são dois mil e duzentos" - a dizer-lhes do formalismo deles, que 500 meticais foi limite para quando o metical valia bem mais, que agora não é grande quantia, que os meus dois mil e picos equivalem a 80 dolares (bem mais, já agora, do que os dolares que poderia levar se os tivesse), coisa de ir aos ATMs levantar dinheiro e passeá-lo no bolso, nas compras de natal. Eles insistem, ilegalidade pura a obrigar-me a deixar o dinheiro, a miúda insiste, no caminho do chorosa, "papi, o que é que foi?", eu começo a irritar-me ("por que é que não menti?") e também insisto, no formalismo daquilo tudo, na desvalorização do dinheiro, no "daqui a quinze dias regresso de férias, precisarei de dinheiro no bolso, por isso é que o tenho", no que não estou a exportar a moeda nacional - e nisso nunca desvalorizando a soberania naquela, óbvia, afirmação de que no meu destino ninguém quererá o metical que ali levo.

Nada a fazer, a ilegalidade obrigar-me-á a largar o dinheiro. Cidadão cumpridor exponencia-se-me a irritação, as palavras vão respeitadoras mas o enfado nelas já não os engana do que estou a pensar: "isto é um exagero, há mais de dez anos que ando para trás e para a frente, nunca exportei nem capital, nem moeda". Afinal nada mais do que o argumento da veterania - e com ele logo se lhe muda a expressão, esquecendo o assunto partem para um breve "Ok, faça boa viagem!". Um ainda deixa "E boas festas", ali ambíguas, se com ou sem interrogação. "Ahh!" resolvo-a, "obrigado". Avançamos à sala de embarque, a Carolina ainda se interroga "papi, o que foi?" e eu "nada, querida", que ela é muito nova para perceber estas coisas de mera veterania.

Não seria melhor mudar o limite de metical transportável? Apenas isso?

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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008

Blogs (pós-Pavlovic, aka insónia):

- No O Acossado o post do mês.
- No O Cachimbo de Magritte sobre "As Mãos no Peito".
- O fim do Passado/Presente. Um lamento.
- Os cigarros do O Vermelho e o Negro.
- "Fazer calar as pessoas" no O Futuro Presente.
- Os Velhos do Restelo no Abrupto.
- Ecologia: Espécie em vias de extinção no Adufe.
- Grau Zero no Lusofolia.
- "O músico deve saber tocar pelo menos um instrumento" diz o músico Adérito, reproduzido no Olhar Sociológico (conefesso que ao lê-lo, no jornal, me lembrei dos bloguistas portugueses que acharam normal referir, à morte de Luiz Pacheco, que lhe preferiam os livros às entrevistas - isto enquanto dissertavam sobre o escritor.)

Sábado, 12 de Janeiro de 2008

Lei do Tabaco


"Vejam como o legislador foi honesto" envia-me um blogoamigo. Um sorriso, mauzinho.

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Tabaco e afins

Ao fim de uma semana a Moção por Salas de Fumo nos Aeroportos que coloquei teve 125 apoiantes e a simpatia explícita de 22 bloguistas. A todos agradeço. Não é um número esmagador mas são 125 pessoas que se interrogam sobre a justeza de uma lei que prescreve a inexistência de locais de fumo nos aeroportos (não é mero laxismo, é obrigação legal) - ao contrário do que acontece em tantos aeroportos internacionais, ao contrário do que um mero bom senso concordante com o espírito da lei implicaria. 125 pessoas e 22 bloguistas que se solidarizaram com a minha irritação face a quem quer obrigar-nos a viver (e a morrer) de determinado modo - sem que para isso tenha sido mandatado. O mandato que têm é o de incrementar as opções, não de as restringir. No meu caso - e aqui já não posso aventar que seja a opinião de quem co-assinou - uma irritação com um ambiente em que os quadros do Estado sentem que têm acrescida tutela sobre as "coisas da vida" do cidadão. Há excitados que exageram sobre este ambiente, é claro. Não é de "fascismo" que se trata, mas é com toda a certeza "irritante" e "intrusivo" - e não é só de tabaco que falo.

quem desvalorize estes "clic-clics internaúticos" (ponho um elo, evito a transcrição dos emails nesse sentido) - porque não têm valor legal, porque não servem para nada. Deve-se criticar o amarelo por não ser verde? Tem algum tino criticar um "tenham tino" colectivo por este não ser um documento oficial?

A este propósito há uma outra questão, e que me surge a propósito desta minha irritação mas que não se liga à "moção" [isto não é uma explicação porque não se assina, era o que faltava] - a "inutilidade" dos "clic-clics internáuticos" associa-se muito à sua "deselegância". Bobbio escreveu um dia ["Considerações Sobre os Manifestos dos Homens de Cultura Dirigidos às Autoridades Políticas", em Os Intelectuais e o Poder, S. Paulo, Unesp, 1997, pp. 57-65], criticamente: "A ideia mesma de um manifesto de intelectuais às autoridades políticas parte do pressuposto de que aquilo que os intelectuais pensam e dizem tem um valor exemplar e, como tal directivo. Os intelectuais como guias morais da nação, ou mesmo da humanidade" (62). Muitos contestam a possibilidade deste exercício - o que não será, por si só, "anti-intelectualismo". Mas também muitos - aceitando ou não a possibilidade do púlpito intelectual - sentem com desconforto a proletarização do "manifestar", este qualquer um de nós poder fazer um "clic-clic internáutico" expressando, sem efeito plausível, a sua opinião, por mais tresloucada ou infundada - "ao menos se fosse alguém importante ...". Há nesse blazeísmo muito do velho "respeitinho" estatutário, das hierarquias sociais, das primazia ao "senhor doutor juiz" "sô engenheiro" e alguns outros. Reaccionário, entenda-se. Repito, não é uma invectiva a quem não assinou a "minha" moção ("quixotesca" e "ridícula", referi). É apenas a minha reacção a algumas mensagens recebidas, do tentar entender do "porquê" delas.
Finalmente: será este o ano no qual conseguirei deixar de fumar?



Adenda: um leitor, Paulo Ferreira, teve a gentileza de aqui deixar um comentário transcrevendo uma notícia sobre este assunto no boletim da TAP -

Com a entrada em vigor da lei nº 37/2007 a partir de dia 1 de Janeiro, passa a ser proibido fumar em todos os recintos fechados, salvaguardadas as excepções previstas naquele diploma legal.

A ANA Aeroportos de Portugal SA divulga em comunicado que “decidiu adoptar, com a excepção a seguir indicada, a medida de absoluta proibição de fumar nas áreas públicas e restritas dos aeroportos.”

“Ainda assim, e tendo em conta a dimensão e o tipo de tráfego do Aeroporto de Lisboa (tráfego de transferências), a ANA decidiu autorizar a disponibilização de áreas para fumadores neste aeroporto, preferencialmente destinadas a passageiros, considerando a permanência destes, por vezes prolongada, numa zona sem acesso ao exterior”, informa a empresa.

A ANA acrescenta ainda que “estas áreas, devidamente assinaladas, estarão disponíveis a partir de Fevereiro de 2008, na zona internacional de Partidas e de Transferências (junto à área do Busgate Sul e no Pier Norte, após o Controlo de Passaportes). Até à entrada em funcionamento daquelas áreas de fumadores vigorará a proibição absoluta de fumar no Aeroporto de Lisboa.”


Um outro leitor enviou-me uma mensagem. Nela informa que trabalhando no projecto de reabilitação de parte do aeroporto da Portela me pode confirmar nele estar prevista a instalação de zonas destinadas ao consumo de tabaco.

A ambos agradeço as informações. Duas notas sobre o assunto: a primeira reactiva, pois não entendo como é que estando prevista desde há meses a entrada em vigor da lei não foi a ANA o suficientemente previdente para proceder aos arranjos necessários - insisto, uma falta de respeitos pelos clientes, suportada na situação de monopólio que disfruta; a segunda, que realmente importa. Por que só no Aeroporto da Portela é que serão instaladas zonas para o consumo de tabaco. Qual a razão legal para tal? Pois outra não poderá haver ...

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Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008


Augusto Cuvilas (foto Arquivo jornal Notícias).

A morte de Augusto Cuvilas (texto de Albino Moisés, do jornal Notícias), da qual tenho conhecimento através do Ouri Pacamutondo é razão para um enorme lamento. Mas se a morte aos 36 anos de um artista talentosissimo é uma dor de alma que se poderá dizer da inacreditavel situação em que ocorreu, tétrica?

Numa outra altura, mais tarde, poder-se-á discutir as condições de trabalho da polícia, no "far-east" que Maputo vai sendo. Mas não agora. Como é tudo isto possível?

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"Alguma novidade? O que se passou nestes dias?", chego, coloquial bem-disposto ao seio dos colegas. "Morreu o Carlos Tembe". Morte abrupta, inesperada. Um homem da minha idade, o frémito, egoísta, de contactar com o que nos pode acontecer e logo em alguém que, ainda que vagamente, cheguei a conhecer. Mas logo a seguir o lamento, pela morte absurda, claro. Mas, também, pelo vazio que um autarca de mão cheia deixará. Ali à Matola. E não só. Vénia.

E não só para perceber isso do Kosovo (agora em intervalo mediático), também para entender isso dos "tribalismos" omnicontinentais, será muito de visitar este pequeno e magistral "Vida e Morte dos Outros. A Comunidade Internacional e o Fim da Jugoslávia", de José Cutileiro (Lisboa, Instituto de Ciências Sociais, 2003) - as publicações do Instituto são muito mal distribuídas e não vale a pena ir à sede comprá-las, que aí é uma amostra do Estado no seu pior, o/a senhor(a) das vendas nunca está ou sempre foi almoçar ou já saiu ou está doente ou qualquer coisa assim. Mas o livro (tal como muitos outros do ICS) vale o esforço de ser procurado.
"Quanto menor fosse a percentagem de gente da principal nação, maior a fragilidade da entidade política a que aquela pertencia. Números para vários países da Europa referentes a 1964 mostram que só em dez de entre eles essa percentagem estava abaixo de 90% (Portugal tinha a mais alta: 99,7%). Dos quatro do fim da tabela - Checoslováquia, com 65,6 % de checos; URSS, com 54,8% de russos; Bélgica, com 52,9% de flamengos; e a Jugoslávia, com 41,9% de sérvios (já só 36,3% em 1981) apenas a Bélgica sobrevive ainda, escorada pela União Europeia." (p. 24 - meu sublinhado)
Mais restrito a "questão jugoslava" José Cutileiro (aqui também na condição de informadissimo ex-coordenador da Conferência de Paz da Jugoslávia da Comunidade Europeia, em 1992) deixa algo hoje já sabido, mas durante bastante tempo muito esquecido:
"A guerra da Croácia é instrutiva por várias razões. Primeiro, porque foi causada pelo confronto de dois nacionalismos e não apenas por um deles, o que se aplica mutatis mutandis às outras guerras e guerrilhas da crise jugoslava. Segundo, porque durante os meses de guerra o medo recíproco se transformou em ódio recíproco - para os Croatas todos os Sérvios passaram a ser chetniks, para os Sérvios todos os Croatas passaram a ser ustase - e levou à prática de barbaridades pelos dois lados. (...) As duas regiões da antiga Jugoslávia sob administração internacional - Bósnia-Herzegovina e Kosovo - não são directamente comparáveis ao que era a Krajina entre 1992 e 1995, nem é fácil imaginar uma operação político-militar que os deixasse etnicamente puros. Mas levarão muito tempo, se lá chegarem, a poderem governar-se sem tutela da chamada "comunidade internacional"." (p. 50)
Finalmente, e ainda que Cutileiro trace a complexo feixe de causas que provocaram todo aquele desenlace, convém lembrar dois desses vectores, pois ensinam bastante sobre este processo histórico e outros, passados e futuros:
"Na Europa, já vimos que a Comunidade Europeia julgara ingenuamente poder resolver a crise jugoslava, dedicando-lhe exortações, dinheiro, diplomacia e uma Conferência de Paz. Cada um dos grandes Estados membros, porém, tinha a sua agenda própria. A Alemanha fizera da independência da Croácia causa sua e cavalo de batalha", (p.50)
arrastando os restantes países-membros dada a contemporaneidade com o processo negocial de Maastricht. E
"Em geral, na ex-Jugoslávia em crise e em guerra dos anos noventa, a Igreja Católica, tal como a Igreja Ortodoxa sérvia, não deu contribuições importantes para a paz." (p. 50)


Adenda: muito gentil, Cristiana Bastos, actual responsável pela Imprensa do ICS, informa-me que as publicações do ICS podem ser adquiridas na página informática do organismo.

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Devagar: o vagaroso blog do excelente João Vasconcelos (afinal ...).

Turismo em Moçambique


Recorte do jornal Público, edição de 29 de Dezembro de 2007. Aqui apresentados algumas selecções de destinos turísticos mundiais, realizadas na imprensa internacional. Significativa presença moçambicana. O New York Times coloca o país como o 31º melhor destino turístico; o Guardian elege-o como destino ecológico; o Lonely Planet coloca-o na bluelist, entre os sete melhores destinos, e a National Geographic Traveler coloca Bazaruto como a 56ª melhor ilha. Tudo isto aparenta a hipótese de um incremento da actividade.
Há muito para oferecer. E há muito para melhorar - dos ecos que vou ouvindo, de moçambicanos em particular, o que urge melhorar é a atitude das pequenas autoridades locais. Excessivamente habituadas a pressionar os "vindouros". E, também, os "industriais" de turismo na presença dos turistas. Pressiona os tais "vindouros" que eles destroem, no boca-a-boca, todas estas boas referências.

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Fim de férias:



A nova Biblioteca Central da UEM, a inaugurar em breve (presumo).

Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008

Delícias no rincão (recomendações de leitura ao meu grande amigo que faz o Apenas Mais Um:

- Limite de velocidade: 30 Km.
- Profundidade: do escritor preferem-se os livros às entrevistas. Que elevação intelectual ...
- Do entre-empregos (burguês) / desemprego (povo).
- Han...?!.
- Eles morrem, os escritores.
- Sociologia "portuguesa".

Hum, é melhor acabar as férias ... o blogroll (a lista de ligações) é teu.
"Expões-te demasiado" avisa ciclicamente um talentoso amigo (desses da "plataforma livro"). Talvez. Por isso alguns me desprezam e outros me atacam. Ignoro-os, em particular aquando no meu maravilhoso país. Esse mesmo, esse onde logo à chegada basta ir comprar o primeiro jornal para deparar e, de imediato, trémulo, comprar oum dazed and confused a tocar desde então.

A canção continua a mesma, ó , escadaria acima para o céu.

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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008

Sobre a Moção Por Salas de Fumo nos Aeroportos, a qual tem recebido simpático eco bloguístico, ainda que nem tanto em assinaturas, o Jornal de Saúde Ambiental lembra e demonstra que a Lei 37/07 (Lei do Tabaco) proíbe explicitamente o fumo nos aeroportos.

Ou seja, em 2007 o legislador português, tantos aeroportos internacionais visitados (presume-se), opta consciente e explicitamente pela proibição total de fumar nestes equipamentos. O espírito subjacente é claro. Uma mediocridade de visão, uma mediocridade de concepção. Uma mediocridade política e ideológica.

Vá(ai) lá assinar, sff.

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Este secador tem pelo menos quarenta anos de utilização corrente. É-me um ícone. (Devo ser muito reaccionário, anti-industrialista, por nutrir tal sentimento).

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Jantar (não tão efusivo como sempre. Envelhecemos?) com belos amigos. Ela que desde as minhas últimas visitas trabalha com imigrantes de "Leste". "Como vai o trabalho?", "pois" responde ela. "E eles?" avanço. "Olha, estão a ir embora", que pelas terras deles algo vai melhorando e que por cá nem tanto, não há trabalho e vão seguindo para França, Espanha e isso.

Desiludo-me. "Bolas, não os conseguimos segurar?". Que oportunidade histórica perdida, eslavofizar o nosso Portugal. Estaremos ainda a tempo?

Dias depois, colado em candeeiro à porta de casa lá encontro exactamente o que senti.

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West Coast e a parvónia

1. Há quatro anos aqui escrevi sobre um imbróglio entre a BBDO e o ICEP sobre uma campanha publicitária: Portugal como West Coast. A história de então é simples de recordar: a agência publicitária queixava-se de plágio. Uma campanha proposta, recusada e o conceito, posteriormente, utilizado pelo organismo público. Uma delícia, ver agora a campanha em marcha, uma Lisboa capeada pela tal "Costa Oeste". A contento da agência, decerto. E do lado do ICEP? O plágio, assim confirmado, morre sozinho? Funcionalismo ...


2. Lisboa está pejada de cartazes gigantes, uns em inglês outros em português. Portugal é a Costa Oeste (aka West Coast) dizem-nos ilustres (e jovens) patrícios. Teoricamente tudo isto é marketing nacional, dinamizador da indústria turística. Tudo bem - a "Florida da Europa" é o futuro que me anunciam amigos por lá, um bom sistema de transportes e de saúde e seremos o refúgio dos reformados europeus, amealhando-lhe as reformas. Afonso de Albuquerque e António Vieira não sonharam o país como lar de terceira idade mas que me interessa isso, "desígnios nacionais" são nada, sabêmo-lo bem. Se resmungo não é por tralha patrioteira, é mais por me lembrar dos "eucaliptos como petróleo verde" de Manuel Pinho, perdão, de Mira Amaral. E daquilo do Silicone Valey da Europa, nos inícios de Cavaco Silva. Chavões para mesas de cafés em bocas de mandarins.

Percebo que uma grande campanha, esta do "Costa Oeste", seja divulgada no país. Agora isto de atafulhar a capital com cartazes gigantescos, omnipresentes nas zonas centrais é uma total bimbice. We are West Coast by nick não-sei-quantos. Para quem é isto? Para os estrangeiros que já cá estão? A mim parece-me mesmo "pela auto-estima, marchar, marchar", pendurar cartazes. Marketing turístico? Isto é marketing político, e do mais piroso - Manuel Pinho quer (e quanto o queria) ficar bem na fotografia? "Vejam bem o que estamos a fazer!"? Que palhaçada. Os parvónios no poder. Antes fosse só isso. Isto é uma pobre manipulação dos transeuntes, kitsch desonesto.

3. Há quem ache fantástico, industrioso, cabedal bem gasto (veja-se o que está aqui ecoado.) Ali pass(e)ando avenidas fora imaginei um impossível contrafactual. Fosse primeiro-ministro, imagine-se, um Santana Lopes e que então diria a gauche qui rit ao ver o D. Maria encoberto, os Restauradores pejados, o Marquês idem, a Av. da República e por aí fora com estes trapos pintados a dizerem-nos que agora somos a "West Coast"? Que gente ...

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Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008

Ao longo dos anos alguns bloguistas vêm falando da necessidade de uma política de arquivo bloguístico [p. ex. no Ma-schamba e no Adufe desde 2004. E lembro que então também no Último Reduto e no Memória Virtual se discutiu o assunto, mas não encontro as referências]. Que me lembre Pacheco Pereira fá-lo também desde 2004, voz avisada na matéria sublinhada pela sua notoriedade. Este seu texto vem retomar a questão, dando-lhe um âmbito ainda mais vasto (o que é natural, cada vez mais ampla é a panóplia de suportes).
Interrogo-me sobre o que pensarão as instituições do Estado português às quais caberia actuar. É que os anos vão passando ...

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Morre Luiz Pacheco. "E agora quem é que "eles" vão entrevistar....?" logo me veio à cabeça. Depois lembrei uma entrada que há dois anos aqui meti sobre o escritor (e sobre o como surgia ele em espírito pre-mortem em alguns blogs literários). Com muito respeitinho, que não sou dos ofícios das literaturas. Mas auto-referencio-me, nem que seja para (me) lembrar como terminei:

"O Génio é uma longa paciência" (Luiz Pacheco, Figuras, Figurantes e Figurões, Lisboa, O Independente, 2004, p. 178). Ganda Pacheco, faltou-te a dita?
Mais valia ter estado quieto, leio hoje por todo o lado o evocar do seu génio. Um sapateiro não toca rabecão exactamente por isso - não reconhece o génio alheio. Mesmo quando gosta da melodia.

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Domingo, 6 de Janeiro de 2008

O que venho blogolendo sobre Obama, o americano candidato às eleições presidenciais deste ano, ancora no mais absoluto vácuo racional. Por um lado há pessoas que pensam como se fossem americanos ("temos [repare-se no "nós"] um homem branco no poder desde XVIII") - tontice que se explicará por excesso de consumo de cinema americano, esse que disponibiliza uma imensa galeria de alter egos [como se fará este plural?] à disposição. Por outro porque o pai do homem nasceu em África ele é "nosso, africano". Quando isto vem de gente que trabalha com as questões sociais eu não percebo para que serve estudar.
Entretanto sobre as eleições americanas eu oscilo. Espero que ganhe ou o McCain ou o Edwards - porque os antepassados deles nasceram na Europa e, portanto, são também nossos, europeus. E porque são homens, tal como eu. Se não forem eles a ganhar espero que, pelo menos, não tenhamos (bis, tenhamos) um presidente como o Obama (um africano) nem, ainda pior, a Clinton (uma mulher) - e digo isto ainda que alguns dos meus antepassados tenham sido mulheres.

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Custa-me imenso reconhecer isto. Mas o tempo de Paulo Bento à frente do Sporting acabou. Suicídio dele (casmurrice com Romagnoli e Purovic). [Quem me dera estar enganado].

Adenda: num ano Deivid; a seguir Alecsandro (e Bueno); agora Purovic. Uma coisa é não haver dinheiro para adquirir avançados, outra é esta escada descendente de mediocridades. Quem escolhe nem sabe nem aprende. É Paulo Bento? Grave. Outrém? Pior ainda.

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Sábado, 5 de Janeiro de 2008

Pode ser quixotesco. Ridículo. Mas tamanha foi a minha irritação (e não só de fumador) que meti-me a fazer uma moção (tem a forma padrão de "petição" mas não é uma petição: não pede nada, exige). Se atingir um número razoável (conceito nebuloso) de assinaturas enviá-la-ei a quem manda na legislação e na execução - a Assembleia da República, apesar deles.

Esta é a Moção por Salas de Fumo nos Aeroportos. Muito agradeço a quem a assine e/ou divulgue.

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Já há anos que aqui o escrevi. Acho que os cidadãos portugueses não deveriam ter acesso ao reembolso das taxas (vulgo "tax free"). O facto de não se residir no país não reduz os direitos de cidadania e, portanto, de usufruto dos bens e serviços públicos. E, num outro plano, os direitos de alguma solidariedade comunal em termos nacionais.
Assim sendo não uso. Mas por vezes acompanho a missão de recuperação de taxas na Portela. Sempre igual, uma longa bicha, um mero funcionário. Lentidão em momento de viagem. Pura dissuassão, um serviço montado para que as pessoas, nacionais ou estrangeiros, desistam in extremis ou, mesmo, já nem se preocupem com o assunto.
Uma provinciana desonestidade.
Um aeroporto de bichas descomunais, com um serviço de terra (que se intitula em inglês, devido a que parvoíce não sei) invisível. Lento na partida, lento na chegada. Sobrevivendo na simpatia cúmplice (quando existe) dos empregados das diversas empresas que por lá trabalham, sempre em regime de semi-irresponsabilidade ("desculpe, mas não somos nós os responsáveis" "tem toda a razão, mas ..." é conversa de décadas). Horas para transitar, constantemente.

Os tipos das modas adoram as novidades quando são moda, "anunciadas na TV" diziam dantes as capas dos vinis pimbas. Agora rejubilam com a proibição de fumar.

Na sala de embarque há um quiosquezito, um tipo chega lá a correr, família a tiracolo, bichas de acesso cumpridas, exigências imbecis (são os próprios empregados que o dizem). A criança tem sede e os pais também. No quiosquezito pagam-se 640 escudos por duas garrafitas de 50 ml de água mineral, semi-mornas.

Os gajos das modas estão felizes por não se poder fumar, que é um horror e etc, e que não se fale no resto. Os gajos do liberalismo acham que é o "mercado", que ninguém é obrigado a consumir etc e tal.

País de bimbos ...

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Fumador. Não radical. Ou seja, fumo imenso mas acho muito bem que quem não quer fumar não o faça por minha via. Uma legislação que restrinja o consumo de tabaco em locais públicos? Muito bem!

Que se proíba o consumo de tabaco em todos os locais públicos? Não! Veementemente não. Isso não é uma política de saúde pública, isso é uma intrusão na saúde individual. O Estado-paizinho.

Saí ontem do aeroporto de Portela. Onze horas Lisboa-Maputo. Mais duas anteriores (pelo menos) de acesso ao avião. A nova lei anti-tabagística entrou em vigor, tantos anos depois da sua introdução noutros países. Pois no aeroporto da Portela não se cuidou de estabelecer um único local destinado ao fumo - como existem numa pluralidade de aeroportos fora de Portugal. Fuma-se na rua, com um único cinzeiro apinhado de milhares de beatas que ninguém limpa.

É inadmíssivel esta sobranceria arrivista de legisladores e executores, um pouco o provincianismo do "bom aluno" das coisas lá de fora, tornado mais papista do que o papa, mas não só, acima de tudo mero autoritarismo dos pequeninos medíocres nos pequeninos poderes. Os aeroportos portugueses são locais públicos, sob tutela estatal. Não são "escolas de virtudes". Que se instalem locais à partida e à chegada para fumadores. Confortáveis, arejados e higiénicos.

Mais que não seja porque é esse o espírito da lei, restringir os locais de consumo, não eliminá-lo. Ou então não é, é uma lei anti-tabaco, e o nosso governo que proíba o seu comércio (já agora vendem-se cigarros em lojas do aeroporto, não é um paradoxo?). E então será outra a discussão.

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Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008

Dois almoços sem poder fumar no fim, levantando-me acompanhado para ir à rua, fazê-lo até sob pingos de chuva. O Francisco José Viegas já esgotou o assunto. Portugal, infelizmente, não.
(19.12.2007) Política portuguesa. Uma lei a querer extinguir os partidos com menos de 5000 militantes. Preciosismos jurídico-constitucionais à parte pergunto-me "porquê?" "para quê?". Cristal cristalino a falta de democraticidade deste(s) legislador(es), a ausência do gosto no democrático. Gente vil se de cajado na mão.

E, nunca esquecer, da má matéria de quem são feitos os "senhores doutores juízes" que os acolitam, em particular esses de que de mandato partidário habitam o tribunal constitucional. Gente vil, com o cajado na mão.

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Muito obrigado pela inclusão.

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Crise portuguesa. "Não comprem casa agora ...." "mas é boa, é grande, a zona é boa". "É má aposta, os preços vão baixar, há uma crise, imensas casas por vender, não há dinheiro". "Achas?", "com toda a certeza, isto não se aguenta".
Há dez anos que me dedicam esta conversa.

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Crise portuguesa. Mensagem sms de amiga de Maputo, aqui também às "festas": "estou num supermercado a tentar escolher um queijo para levar ... têm 333 espécies diferentes". Crise ...

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Crise portuguesa. Vésperas de natal, sucessivas caixas multibanco (ATM's noutros locais) vazias. Azáfama radical nos chópingues centres. Logo a seguir, pós-natal imediato, chópingues centres a abarrotar de gente aos saldos. Crise ...

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(19.19.2007) Revistas leves ("Visão" e outras). "Natais de sonho", os roteiros dos "ricos" (hum...) e "famosos" (bem, devem ser, mas a maioria nem sei quem sejam) neste natal (trópicos, paris, nova iorque, assim). A produção de novos valores, a família a ser mais ultrapassada pela ânsia do status. E mais apelos ao cartão de crédito.

(Quanto pagarão os lóbis turísticos às revistas para este tipo de trabalho?).

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Idade a passar: o esgar inicial, instantânea surpresa, do amigo que não me via há dois anos, logo encapotado por piada sobre o envelhecimento. A alegria da filha em família alargada, apontando os (vários) pontos onde o pai já está careca. Os imensos velhos cada vez mais velhos pela Lisboa toda.
Rádio no carro (alugado). Pois, único sítio onde consumir o mais estupidificado dos meios de comunicação (desde os sinais de fumo até à telepatia). E, surpresa, conhecer EuropaLX (fm 90.40) - som civilizado, gente civilizada. Depois, estrada fora, afinal é estação francesa ...

(má vontade??)

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Domingo, 30 de Dezembro de 2007

(19.12.2007). Byblos - local a prometer. Ainda que início aos solavancos alguns velhos livros no meio das pilhas de "mais-vendidos" - para mim um antigo Gilberto Freyre ainda com as páginas por cortar ...
(19.12.2007). Paternidade: "Ai papi, viver em Portugal é muito chato! Faz muito frio!!!"

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(19.12.2007). Acordo ortográfico. Não tenho qualquer posição veemente. Apenas uma questão. Como se passará a escrever: xópingue ou chópingue?

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(18.12.2007) Ainda a Cimeira Europa-África: "Nova Era" de relacionamento; respeito por "direitos humanos", políticas de "desenvolvimento", apoio à "transparência", implementação da "boa governação" [aka "governância"]. Depois? Depois Zuma.
Enfim, a insustentável melodia retórica face ao ritmado do real.

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(18.12.2007) "Zuma na Caneca": - meu sms para amigos longínquos (desses incultos que não acham o desaparecimento da "pequena maddie" o acontecimento internacional do ano).

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Janto, muito bem, com amigos que trabalham nisso da banca. Entre as belas vinhaças e tantos outros assuntos afloram o lixo BCP - e do novo administrador, tipo do PS, que era director-geral de empresas e administrador do grupo (holding, dizem os analfabetos) BCP. Mas formalmente não caindo sob a definição "Administrador" do BCP. E agora lá está ele, como se nada consigo fosse, lampeiro lone ranger, a "credibilizar" a banca privada portuguesa.

Como está Portugal?